As borboletas no meu estômago morreram. Seus cadáveres estão apodrecendo e o meu corpo está adoecendo. A única coisa que restou foram as memórias dos tempos em que elas brincavam no nosso jardim. Tem, também, a esperança de que chova muito nesse verão: só assim para acabar com a aridez do seu coração.
Palavras que chegavam até mim,
e inibiam as minhas próprias.
Perguntas que não partiam de mim,
mas encontravam respostas.
Então veio o seu sorriso,
a embriaguez da música ensurdecedora,
o Van Gogh falso na parede e, de repente,
uma promessa de amor.
Às vezes penso que a informatização, ao invés de aproximar as pessoas, está distanciando-as cada vez mais, e não pelos motivos já amplamente discutidos (não, as pessoas não estão deixando de sair de casa por causa da internet, como pregavam os profetas apocalípticos no início da era digital), mas simplesmente pelo fato de que a internet, com as suas redes sociais e com a ideia nelas embutida de seleção de pessoas por algum tipo de compatibilidade, permite que as pessoas conheçam muito mais indivíduos com quem se identifiquem, ou seja, pessoas com quem possam conviver mais facilmente, do que ocorria anteriormente. Tendo à sua disposição uma série de pessoas interessantes, se torna difícil aprofundar o relacionamento com apenas uma delas, levando em conta que isso significa escolher, deixar de se relacionar com algumas dessas outras pessoas. Além disso, é muito mais cômodo se relacionar com pessoas que pensam de forma semelhante do que com pessoas que pensam de forma diferente e com quem, portanto, teremos que discutir sempre, atividade que exige uma grande maturação mental. Ocorre o mesmo efeito dos mp3 com grande memória: é quase impossível ouvir uma música até o final e prestar atenção em todos os seus detalhes técnicos e poéticos quando ainda há mil músicas “pedindo” para serem ouvidas (da mesma forma supeficial, diga-se de passagem).
Sim, sempre existiram e sempre vão existir guetos, tanto físicos quanto abstratos, mas acredito que a internet pode potencializá-los se essa força de seleção e união de pessoas em prol de um objetivo não for usada para fins construtivos e não elitistas e se as pessoas não saírem desse estado de letargia e passarem a conviver com pessoas de realidades diferentes.
Sim, sempre existiu e sempre vai existir a troca constante de parceiros, mas acredito que a internet pode potencializar essa tendência se as pessoas simplesmente não diminuírem o ritmo e passarem a tentar conhecer melhor e aprofundar o relacionamento com os indivíduos com quem já mantém contato.
Amanhã trocarei o Facebook e o Orkut por um livro do Shakespeare e por um encontro com os meus amigos de infância. Certeza que assim eu ganho mais.
Seus olhos passam por mim e pouco se demoram. Seus movimentos, harmoniosos, logo perco de vista. Seu sorriso é uma dádiva à qual quase não tenho mais acesso. Seu abraço não se transforma mais em desespero e minhas mãos já não tocam mais o seu rosto. Sua noite não é mais minha, minha cama não é mais nossa. O amor que eu sinto ainda é o mesmo e sei que o que você sente também, e é aí que está a causa de toda a dor: o meu continua grande o suficiente para preencher o mundo e o seu permanece pequeno demais para preencher a minha vida.
A mensagem de celular que você não respondeu, a mensagem no espelho do banheiro que você não percebeu. O encontro que você não facilitou, o desencontro que você provocou. O meu eu e você, o seu você e você. O meu eu te amo, o seu te amo eu? O meu vazio. O seu vazio.
Começou.
Serei feliz quando você me aceitar do jeito que eu sou, assim como eu te aceito do jeito que você é. Não que eu queira o marasmo que é não mudar (na verdade, o que adianta almejar a estagnação, se ela é inatingível?) mas saber que você vê beleza na imaturidade dos meus pensamentos, no meu andar torto, nos meus erros gramaticais, nos meus gestos rudes, na minha aparência jovem e negligenciada, na minha insegurança de criança que vai à escola pela primeira vez, no esboço de uma pintura que eu ainda sou, enfim, é ter certeza de que você é quem merecerá a obra prima que eu pretendo me tornar, é ter certeza de que você é o meu amor.

Há um pouco de sadomasoquismo no ato de fazer as malas e partir: trocar a segurança dos braços maternos e caminhar voluntariamente em direção ao perigo certo é um tanto quanto masoquista e não há nada mais sádico do que virar as costas sabendo que as lágrimas percorrem o rosto da mãe como os pés percorrerão a estrada.
Há muita insanidade nisso tudo: o vento frio que corta o rosto traz mais vida que o calor da lareira em noites de inverno e aqueles perdidos encontrados brevemente enquanto o caminho pedregoso é percorrido trazem mais familiaridade que aqueles parentes em noites natalinas.
Sim, eu sei que é uma loucura, mas eu continuo fazendo as malas mesmo com todas essas reflexões e não há nada que possa me impedir agora, pois no momento há o caos lá fora e a minha vontade de (tentar) decifrá-lo e orndená-lo é mais forte que as minhas raízes.
Desculpe-me, mãezinha. Desculpe-me, avózinha querida. Rezem pelos meus pés, pois o caminho é longo.
Os meus heróis não morreram de overdose.
Copa do Mundo. Cruzo os braços e observo. Uma cerveja, duas cervejas, três cervejas. Na quarta, pego o pandeiro e balanço uma ou duas vezes, saindo assim do meu anonimato tímido e entrando em uma nova dimensão, na qual eu me destaco e me expresso. Cinco cervejas, seis cervejas, sete cervejas. “Juiz, ladrão, porrada é a solução”, eu grito, demonstrando que, além de saber me expressar, também sou formador de opinião. Oito, nove, dez. Vitória do Brasil. Pego o pandeiro e balanço mais algumas vezes, ensaio alguns passos de dança (sou até dançarino, agora) e seguro a morena ao meu lado pela cintura. Não sei se ela permitiria o assédio normalmente ou se ela permite apenas por estar na mesma sintonia, mas análises mais complexas não importam, porque a única coisa que importa é que eu venci. Sou brasileiro, sou vencedor e não terei que aturar o meu chefe pelas próximas vinte e quatro horas. Pego o meu carro comprado em sessenta prestações de quinhentos reais, ofereço o banco de passageiro para a morena, coloco “I got the feeling” pra tocar. Na cabeça, um boné da Nike. Nas minhas veias, etanol diluído. No coração, amor à patria.
ET and Yoda: All You Need Is Love
(source Wooster Collective)
by Carl Heindl
Sad Batman
I like this guy’s style.
It’s a world clock you guys!
EDIT: Holy Radar Batman! More on the world clock HERE at Boing Boing, yay!!! (Also, you can just click on the...